domingo, 7 de março de 2010

Purgatório



Purgatório

“Do Inferno ao Purgatório e depois ao Paraíso
Tal viagem não seria, na verdade, uma vertigem?
E as palavras que disfarçam teu sorriso indeciso
Não viriam, na verdade, de um desejo sem origem?

Não vislumbre ‘O beijo’ incauto, improvável, de Rodin
Improvável, impossível, pois de mármore é o músculo
Pois teu prêmio de consolo: a sonolência da manhã
E os passos que te levam displicente no crepúsculo

E nas pálpebras fechadas, tuas pupilas dilatadas
Só enxergam o que sentem teus quietos lábios túmidos
E a boca ambicionada, no entanto, inalcançada
É a causa inevitável dos teus tristes olhos úmidos”

A resposta, equilíbrio insistente, agonizante:
Não me importa, no deserto, tua razão cheia de ritmo
Pelos olhos, pelas mãos, pela voz de um ser pedante
Meu afeto desmedido é, contudo, o mais legítimo

Lapidado com destreza pelo instrumento eólico
O afeto a mim se impõe, muito embora tão suspenso
Com seus gestos compilados em meu puro ser simbólico
Guardo a graça glacial do vermelho mais intenso.

2 comentários:

  1. Olá, Lana!

    Muito prazer em "conhecê-la"! :-)

    Gostei bastante da sua poesia, moça, estarei sempre por aqui a partir de agora - seu blog já faz parte da minha lista de favoritos.

    Fiquei muito contente com a sua visita ao Subsolo. Me manda o seu email no seguinte endereço: within_emdevir@yahoo.com.br. Daí eu coloco você no meu mailing semanal.

    Você é daqui de São Paulo, então? Que faz?

    Beijos,

    Flávio Ricardo

    ResponderExcluir
  2. Obrigada, Flávio!!
    tomara que eu consiga atualizar o blog a contento!! rssss
    keep in touch!

    beijos
    Lana

    ResponderExcluir