domingo, 7 de março de 2010

Inverno

Ainda resisto a essa imantação brutal
Mas com a fluida essência a gotejar meu sono
Tanto e tanto mais eu como desse sal
Tenho mais sede e mais sal mais sal eu como

Mas não me envolve mais calor e menos frio
Com uma espessa neve cubro minha elocução
Deixo obscuro o meu instante mais febril
O meu asilo é essa outra dimensão

Envergonhado, me parece mais perfeito
Este fôlego secreto e vulnerável
No inútil e sublime ar rarefeito
A sobriedade é a lágrima inefável

Mas o cavalo que, audaz, corre à neblina
Não está tão certo de seu corpo encoberto
Pois em seus olhos: a verdade cristalina
Consonante com seu coração desperto

Meu retrato na quina da embriaguez
Mente a severa frieza deste solistício
Emoldurada por uma grave lucidez
Caminho irônica por este chão difícil.

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