domingo, 7 de março de 2010

A cor do medo



A cor do medo

O desejo de nascer me inquieta
A necessidade de falar, de ouvir
De experimentar meu insípido existir
E desatar de alguém um amargo poeta,

que seja. Ou doce, salgado, azedo...
Ver e sentir como é ser visto e sentido
cutucar a casa do cupim e sentir o prurido
sorver a vida, agoniar-me... não tenho medo

Medo, eu tenho da vida com legendas,
Traduções erradas das nossas falas
Torrentes de mal-entendidos correndo em valas
Filmes com mal feitas emendas

Eu quero o gosto mais forte do existir
A cor, o cheiro mais forte. Eu não tenho medo.
Não tenho medo mais, nem da sombra do rochedo
que de preto tingia meu sorrir.

(Eu tenho medo é do medo,
que é da mesma cor da solidão.)

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